eu-violei-o-lobo-ferozLivro de Teresa Moure com o que começa um novo tempo de escrita. Inicia-se na poesia e na literatura erótica, rompendo com algumas das ideias que a crítica tinha feito sobre a sua escrita: prosa cheia de metáfora e que insinua mais não explicita. Novo também por escolher a ortografia galego-portuguesa.

Mas, não só é desobediente quanto a linha das anteriores obras da autora ou da norma linguística, a desobediência é o âmago deste livro de poemas que também poderemos ler como história. A história duma presa independentista acusada vagamente de vigiar arsenais de armas e Galicola, afastada do seu mundo numa prisão do Estado, que constrói o seu relato juntando às suas reflexões de cela as declarações diante do juiz, as suas lembranças, confissões ao lobo… desconstruindo a sua identidade pública e privada, jogando com a tensão revolução – corpo através duma sólida e subversiva voz poética que dá a volta aos tópicos com notas de fina ironia.

FICHA TÉCNICA AUTOR:

Ano: 2013

Capa: brochado

13 x 19 cm

82 páginas

ISBN: 978-84-87305-73-3

PVP: 10 €

Diagramador: Fran Ameixeiras

teresa-moure

Dizem de Teresa Moure que no seu tempo livre escreve. Às vezes mesmo nas paredes. E não falta quem assegure tê-la visto a estragar com graffiti o mobiliário urbano por não dispor dum computador à mão. Entre parede e parede, reparte mimos sem medida, que ela nunca foi comedida nem mesurada e cultiva uma horta abafada de flores de uma beleza mortífera. Ainda que ninguém a visse nunca sem um livro nas mãos, mente a quem a quiser escutar contando detalhes atrapalhados sobre as suas experiências −que apenas ela assegura serem tantas−, e as suas viagens ao longo do planeta, −quase todas imaginárias−. O seu maior desejo seria pastorear uma manada de girafas, mas, como estes teimosos animais não se habituam à chuva galega, está a pensar em inventar algo com que varrer as nuvens negras do céu. Talvez seja certo que escreveu vários textos em galego, porque tem o vício de se comprometer com as causas difíceis. Professora na Universidade de Santiago de Compostela de uma especialidade com o procaz nome de linguística geral, absorve cada dia do estudantado a energia necessária para o peso cruel da existência não a esmagar, nem lhe empeça de se somar a qualquer guerrilha que se levante, insurgente, para construir um mundo melhor.

Primeiro livro de poemas de Teresa Moure. Uma singular Capuchinho Vermelho reconstrói e constrói a sua historia e identidade através de confissões quando é retida por terrorismo ecológico.

Este livro, que ainda não é,
nasce duma ferida
comprida e profunda,
duma fenda escura e húmida
nos calabouços duma prisão do estado
repressor.

Este livro, que ainda não é,
nasce duma ferida palpitante,
da dor imensa de ver-me desamparada
logo de tantas ideias libertadoras
que pulam, aí onde estais, fora destes muros,
nas ruas, nos antros mal ventilados
que não se conformam com o ar assético da democracia

Mas, sobretudo, este livro
nasce duma ferida
carnosa e suave
que ciclicamente sangra
e que levo aberta
entre as pernas.

 

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