politicamente-incorreta-ensaios-para-um-tempo-de-pressasUma mulher é politicamente incorreta quando diz o que não se espera dela e, ainda mais, quando pronuncia uma verdade não admitida pela opinião pública, pelo felizmente acordado no consenso social. Se alguém −é apenas um exemplo− insinuar que os poderes eleitos nem sempre nos representam ou que é preciso dedicar-se a sabotar as instituições, ou confiscar as igrejas para torná-las centros sociais, adota uma atitude subversiva que não encaixa no relato admitido pelos meios de in-comunicação. Nessa atitude rebelde lateja o desacato: para o modelo conservador, com as suas hierarquias e os seus interesses inconfessáveis, mas também para os pensamentos supostamente avançados, que se conformam com pôr remendos a um mundo que deve ser reduzido a cinzas. A politicamente incorreta é pessoa incómoda, pode assumir-se. Se atuar assim, desta maneira selvagem e provocadora, é porque acha um prazer inusitado em meter o dedo no olho a quem enunciar verdades que devem ser aceites e repetidas até a saciedade numa realidade em perpétuo fluxo. Esse prazer, como todos, é dissidente. Ameaça. Procura exercer uma crítica radical contra o poder. Procura algo mais formoso do que o poder: a autenticidade.

FICHA TÉCNICA AUTORA:

Ano: 2014, março

Capa: brochado

16,5 x 23,5 cm

Páginas: 368

ISBN: 978-84-87305-79-5

DL: C 378-2014

PVP: 17 €

Diagramador: Miguel R. Penas

Desenho de capa: Pancho Lapeña

Escultura da capa: Nevenka Pavic

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Dizem de Teresa Moure que no seu tempo livre escreve. Às vezes mesmo nas paredes. E não falta quem assegure tê-la visto a estragar com graffiti o mobiliário urbano por não dispor dum computador à mão. Entre parede e parede, reparte mimos sem medida, que ela nunca foi comedida nem mesurada e cultiva uma horta abafada de flores de uma beleza mortífera. Ainda que ninguém a visse nunca sem um livro nas mãos, mente a quem a quiser escutar contando detalhes atrapalhados sobre as suas experiências −que apenas ela assegura serem tantas−, e as suas viagens ao longo do planeta, −quase todas imaginárias−. O seu maior desejo seria pastorear uma manada de girafas, mas, como estes teimosos animais não se habituam à chuva galega, está a pensar em inventar algo com que varrer as nuvens negras do céu. Talvez seja certo que escreveu vários textos em galego, porque tem o vício de se comprometer com as causas difíceis. Professora na Universidade de Santiago de Compostela de uma especialidade com o procaz nome de linguística geral, absorve cada dia do estudantado a energia necessária para o peso cruel da existência não a esmagar, nem lhe empeça de se somar a qualquer guerrilha que se levante, insurgente, para construir um mundo melhor.

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