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Esta obra fornece numerosas dicas para melhorar nos usos linguísticos e expurgar castelhanismos do nosso idioma. A ação da influência do castelhano sobre a nossa língua é devastadora. Os campos léxicos e semânticos que sofreram de forma mais acentuada a invasão castelhana (eclesiástico, legal, educativo, científico, comercial, industrial, técnico e mediático) recobrem exatamente as áreas da vida social das quais o galego (quer dizer, as pessoas que falavam galego) foi excluído ou nem chegou a particiar. Esta invasão acabou por atingir tal intensidade que “nalguns casos os galego-falantes espontâneos são incapazes de reconhecer algumas palavras tradicionais como galegas, e consideram o castelhanismo substituto como autenticamente galego”. (H. Monteagudo e A. Santamarina, “Galician and Castilian in contact: istorical, social and linguistic aspects”, in Rebecca Posner; John N. Green (eds.), Trends in Romance Linguistics and Philology, vol. 5 (1995), pp.163. A Tradução do inglês é minha).

Só “nalguns casos”? Apenas “palavras”? Unicamente os “falantes espontâneos”? E, mais fundamentalmente, são os galego-falantes, espontâneos ou não, capazes de reconhecer o lugar que ocupa a sua língua entre os idiomas peninsulares? Suspeito que, no fundo, deveríamos admitir a nossa ignorância sobre o que é um “castelhanismo”? Ou, por outras palavras, será que sabemos bem o que é “authentically Galician”?

Falar com Jeito, pelo contrário, é um instrumento que resulta duma concepção ecuménica do galego (da língua galega, naturalmente) enquanto que parte a integrar no espaço da língua comum – a língua portuguesa, assim dita e conhecida porque foi a nação portuguesa que a tornou língua nacional e internacional. Esta visão da nossa língua e de nós mesmos já não é nenhuma novidade. Aqui damo-la por ponto assente, por puro instinto de sobrevivência.

FICHA TÉCNICA AUTOR:

Ano: 2011

Capa brochada

14×21 cm

164 páginas

ISBN: 978-84-87305-44-3

PVP: 15 €

Diagrama: Sacauntos

Desenho de capa: Pánchez

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Fernando Corredoira (Corunha, 1965). Licenciou-se em Filologia Galego-Portuguesa na Universidade da Corunha (1992), onde seguiu cursos de doutoramento (1993-95) e apresentou a sua Tese de Mestrado. Bolseiro do Instituto Camões, frequentou o Curso de Língua e Cultura Portuguesas para Estrangeiros na Universidade Clássica de Lisboa (1993-94), bem como o Curso Universitário de Formação para Professores de Português, Língua Estrangeira na Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1996-97).

Ensinou língua castelhana e literatura portuguesa na Universidade Federal de Goiás, no Brasil (1998-99). Regressou à Galiza e desde então (1999) trabalha como tradutor e intérprete de português. Foi professor de Língua Portuguesa na Escola Oficial de Idiomas (2001-2007).
Estreveu A Construção da Língua Portuguesa — O Galego como exemplo a contrário (1998), bem como alguns artigos combativos sobre a questão da língua.

Traduziu em colaboração A doutrina do ADN, de R. C. Lewontin (Laiovento, 2000), com Salvador Mourelo, e Linguas e Nacións na Europa, de D. Baggioni (Laiovento, 2004), com Mário Herrero, e alguns artigos académicos (1997: “A Melhor Orthographia”; 1998: “Cultismos Estranhos”; 2001: “A Questão da Ortografia. Poder, Impotência e Argalhadas”, etc.). É responsável pola versão anotada do Sempre em Galiza de Castelão (ATRAVÉS|EDITORA, 2010).

Desde 2008 é membro da Comissom Lingüística da Associaçom Galega da Língua (AGAL) e da Comissão de Lexicologia e Lexicografia da AGLP. Colaborou no estabelecimento do Léxico da Galiza para ser integrado no Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa (2009).

 

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